Ao investigar como essas leis surgiram e se consolidaram, o quadrinista Daniel Paiva reconstrói essa história, mostrando que a proibição nunca foi só sobre a planta, mas sobre o controle da população negra, indígena, periférica e carcerária, evidenciando seu impacto e desmontando o discurso oficial sobre esse modelo que pune muito e resolve pouco.
O livro revisita episódios em que o proibicionismo atingiu diretamente a cultura brasileira: a prisão de Gilberto Gil em 1976, a detenção de Marcelo D2 e do Planet Hemp em 1997 por “apologia ao crime”, e a perseguição a Rita Lee. Casos que mostram que a repressão também mirou a expressão cultural.
Ao mesmo tempo, aponta caminhos: a descriminalização e a regulação como alternativas possíveis, além do uso medicinal como parte de uma mudança necessária nesse cenário.
Desse universo surgem também seus desdobramentos: O gibi de 16 páginas, Diamba – A Utopia, em que o autor imagina um Brasil com legalização construída a partir de justiça e reparação histórica, explorando seus possíveis impactos na sociedade, e a adaptação teatral Diamba, produzida e interpretada por Luiz Navarro, que leva essa discussão para o palco e amplia o alcance do debate em outras linguagens.
Daniel Paiva é cartunista e foi um dos editores da revista Tarja Preta. Colaborou também com as revistas SemSemente e Futum, além do site maryjuana.com.br. Autor da coletânea Beto e Dé e Outros Quadrinhos Canábicos, também atua no audiovisual. Ao lado de Daniel Garcia, editou e dirigiu o documentário Malditos Cartunistas; e, com Matias Maxx, editou e produziu a websérie Narcoturistas. Pela Brasa Editora, publicou Diamba – Histórias do Proibicionismo no Brasil e Diamba – A Utopia.
A Brasa Editora é um selo dedicado aos quadrinhos brasileiros, com foco em narrativas autorais e na diversidade de vozes e linguagens. Vencedora de dois prêmios de Editora do Ano no Troféu HQ Mix, além de diversos prêmios do mercado editorial e de quadrinhos, agora integra a Holding in.Pacto, o que amplia seu alcance e fortalece seu compromisso com a produção independente no país.